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O vício da reclamação

Quantas vezes nos pegamos reclamando da vida? Quantas e quantas vezes simplesmente julgamos certas situações pelas quais a vida nos faz passar e sempre achamos um responsável a quem possamos culpar sem o menor pudor.
Mas será que simplesmente achando o culpado e reclamando da situação vai trazer algum benefício? Acredito que não. Acredito que isso já se tornou um vício na nossa sociedade. É fácil culpar alguém, o difícil é analisar os fatos e descobrir que estamos todos unidos, que somos todos parte de um grande mecanismo que faz as coisas acontecerem. As principais reclamações talvez sejam sobre a educação, onde os acusados são os professores, ou ainda sobre os jovens, onde a principal acusada é a tecnologia, como televisão, videogames e computadores. E a saúde, o desemprego, a política e tantos outros. Citeis apenas esses pois são bem conhecidos de todos. Mas podemos nos perguntar: O que fazemos para melhorar tudo isso? E a resposta sincera para tudo isso é que geralmente não fazemos nada, ou se fazemos é muito pouco. “O que posso fazer para mudar a educação? Eu não tenho poder nenhum sobre isso, é um sistema muito complexo, ultrapassado, ....” é o que a maioria das pessoas pensam, inclusive muitos professores. Mas o que a gente esquece é que ninguém consegue educar ninguém, pois a educação deve ser algo que vem de dentro do endivido, e não de fora. Se eu reclamo da minha educação é porque eu não me esforcei o suficiente para saber mais e ponto final. Não posso reclamar dos pais, dos professores, do sistema e muito menos do governo.
Hoje as formas de se aprender estão cada vez mais diversificadas. Existem ótimos canais de televisão, ótimas publicações de revistas, bibliotecas existem em toda parte, e ainda temos a imensidão da Internet. Basta querermos.
Quantos e quantos exemplos de pessoas muito bem sucedidas na vida que não possuem diploma nenhum, apenas se esforçaram, se educaram, e se conversarmos com as mesmas teremos muita dificuldade em saber se são pós-graduadas ou não. Então o sistema não é tão ruim assim, apenas não sabemos como aproveitá-lo. Reclamar se tornou tão vicioso que nem pensamos mais nas possibilidades, apenas reclamos e nos sentimos os sofridos do mundo. Temos que parar com isso, em todos os sentidos. O que falei sobre a educação também vale para o desemprego, para a juventude, para a política, etc...
Temos que cair na real e saber que somos responsáveis pela natureza, somos responsáveis pelo lixo, somos responsáveis pelo nosso emprego e pelo grau de educação que temos. Temos que saber distinguir entre a realidade do nosso compromisso perante a vida e entre a infeliz ilusão de que os outros tem a culpa pela realidade ao nosso redor.
Vamos parar com isso e construir um mundo melhor a partir de nós mesmos, vendo as coisas boas que são feitas, e olha que muitas coisas boas estão acontecendo a cada instante. Se conseguirmos modificar esse ponto de vista estaremos em poucos anos vivendo no paraíso.

Sérgio Blankenburg


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